Estratégia

O que é continuation bet?

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September 18, 2020 7:41 pm | por DM Créditos

Se você é jogador de poker, muito provavelmente já se viu na seguinte situação: seu oponente dá um raise pré-flop e você paga com uma mão especulativa, por exemplo 6♣8♣. No flop você não acerta par nem draw, seu adversário aposta e você desiste. Nessa jogada seu adversário aplicou uma bem-sucedida continuation bet (também chamada de c-bet) e só restou a você lamentar a má sorte nessa mão. 

Neste artigo vamos desvendar essa importante jogada, que certamente está no repertório da grande maioria de jogadores, tanto profissionais como recreativos. Boa leitura!

A ideia por trás da continuation bet

A continuation bet, por definição, é a aposta que o agressor pré-flop realiza no flop, continuando a agressão (por isso “aposta de continuação”). A c-bet é uma forma relativamente simples de acumular fichas, e a sua eficácia tem uma explicação matemática. Uma mão não pareada vai acertar algum par no flop apenas pouco mais de um terço das vezes (aproximadamente 35%).

Dessa forma, perto de 65% das vezes seu oponente terá “errado” o flop e, teoricamente, tenderá a desistir quando você seguir apostando. Então, se a conta é essa, quer dizer que a c-bet funcionará quase dois terços das vezes, correto? Bem, infelizmente não é tão simples assim.

Trata-se de uma jogada “manjada”, então bons jogadores se ajustaram ao excesso de c-bets e estão mais preparados para reagir a ela. Vamos entender melhor algumas situações de aplicação da c-bet.

Razões para apostar

Antes disso, é importante entender por que você deve apostar ou deixar de apostar em diferentes situações. No primeiro capítulo de seu livro Easy game: making sense of no limit hold’em, Andrew Seidman afirma que há apenas três razões lógicas para apostar: por valor, por blefe ou para coletar dinheiro morto (dead money).

Veja cada uma delas:

  • aposta por valor: nessa aposta acreditamos (ou temos certeza) que temos a melhor mão e queremos que o adversário dê call ou raise com uma mão pior que a nossa. Por exemplo: temos 9♣9♥ e o flop vem Q♣2♥9♦; nesse caso apostamos por valor, pois há muitas mãos piores que pagariam a aposta.
  • aposta por blefe: quando acreditamos (ou temos certeza) que temos a pior mão e queremos que o adversário dê fold com uma mão melhor que a nossa. Por exemplo: temos 6♥7♥ e o flop vem A♣K♣J♦; nesse caso nossa aposta é um blefe, pois tenta representar uma mão forte e esperamos que o adversário desista com uma mão melhor (por exemplo 8♦8♣).
  • aposta para coletar dinheiro morto: nesse caso a aposta tem a finalidade de encerrar a mão no flop mesmo, independentemente de termos ou não a melhor mão. Por exemplo: aumentamos com K♦Q♣ e o flop vem A♣7♥ 5♦; sabemos que nosso adversário não dará fold se tiver acertado algum par, tampouco dará call com mão pior que a nossa (por exemplo Q♦J♥). Nessa situação não podemos apostar nem por valor nem por blefe, mas, se apostarmos e o adversário der fold, coletaremos as fichas do pote de qualquer jeito.

Quando utilizar a c-bet e quando evitá-la

Voltemos então à continuation bet. Poker é um jogo de muitos fatores, portanto não há uma fórmula que possamos utilizar 100% das vezes.

Fatores como estilo de jogo e range do adversário, tamanho dos stacks envolvidos, momento do torneio, entre vários outros devem ser considerados. Ainda assim é possível traçar princípios gerais de aplicação da c-bet. 

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Quando você estiver enfrentando a decisão de aplicar ou não a c-bet, faça mentalmente as seguintes perguntas:

– Minha aposta é por valor, por blefe ou para coletar o dinheiro morto?

– Qual o range que represento?

– Qual range estou enfrentando?

– Como meu oponente joga (loose ou tight; passivo ou agressivo)?

– Quantos adversários estão jogando a mão?

– Qual o tamanho do pote em relação ao meu stack?

Em relação às duas últimas perguntas, lembre-se que, quanto mais jogadores estiverem envolvidos na mão, mais difícil será apostar por blefe e puxar o pote; e que, quanto maior o tamanho do pote em relação ao nosso stack, menos frequentemente deveremos apostar por blefe.

Vamos a dois cenários hipotéticos:

Cenário 1

Nosso adversário é loose, joga muitas vezes com ases fracos fora de posição (A5o, A6o por exemplo) e nunca larga top pair. Seguramos K♣K♥, damos raise pré-flop do botão e ele paga do big blind. O flop vem A♥2♣2♦ e o seu adversário dá check. Provavelmente temos a melhor mão, mas devemos aplicar a c-bet?

Provavelmente a resposta é não, já que nossa aposta não funcionaria nem como valor, nem como blefe – não conseguiríamos fazer o adversário foldar com top pair, muito menos com trinca, e também não há muitas mãos piores que possam pagar a aposta. 

Se em vez do par de reis estivéssemos segurando A♣K♥, por exemplo, aí sim a c-bet seria praticamente obrigatória.

Cenário 2

Damos raise pré-flop com A♦K♦ do botão e o mesmo adversário da situação anterior dá call (sim, ele gosta muito de “defender” o big). O flop vem 8♥9♥T♥ e o camarada dá check. Devemos apostar para coletar o dead money?

Provavelmente aplicar a c-bet aqui não é a melhor jogada, pois esse flop acerta o range do oponente com muita frequência e a força de nossa mão pré-flop foi por água abaixo com esse flop extremamente conectado.

Delayed c-bet: uma variação da c-bet

Agora sabemos que, quando o agressor pré-flop segue apostando no flop, ele realiza uma c-bet. Porém, muitas vezes ele opta por dar check no flop e apostar no turn. Nesse caso ele está fazendo uma delayed c-bet (ou “c-bet adiada” em português). Vamos a um exemplo:

Digamos que você aumenta pré-flop segurando 9♣9♥ e é pago por um oponente. O flop vem A♥K♦3♣, seu adversário pede mesa e você decide dar check também. No turn aparece um 8♥, seu oponente dá check novamente, você aposta e ele larga as cartas. Nessa situação, portanto, você aplicou uma delayed c-bet.

Esperamos que este artigo tenho trazido elementos para você aperfeiçoar sua arte de “c-betar”. Nos encontramos nas mesas de poker. Até logo!